O título deste artigo contém, escondido, um suave trocadilho. “A pedal” significa, no entendimento popular, que algo anda devagar. A expressão assenta, assim, que nem uma luva naquilo que é a Massa Crítica: um movimento que promove o uso regular da bicicleta nos meios urbanos como meio de transporte, e que devagar, devagarinho, tem vindo a conquistar mais adeptos. Em Lisboa, os encontros decorrem nas últimas sextas-feiras de cada mês.
Texto originalmente publicado na revista DIF de Junho de 2011.
Sob o olhar altivo e atento do Marquês de Pombal é, normalmente, perto da agitada rotunda de Lisboa que os adeptos e curiosos da Massa Crítica – também designada de Bicicletada – se reúnem para dar início aos passeios. Mas os encontros podem começar num qualquer outro ponto da cidade, previamente combinados através das mailing lists e do site a que a Massa Crítica recorre para espalhar a palavra. O fenómeno da Massa Crítica teve origem em São Francisco, nos Estados Unidos e, por cá, foi em 2003 que a pedalada organizada começou, na altura com apenas 14 participantes. Hoje, os adeptos já chegam às duas centenas. Contudo, a Massa Crítica torce o nariz à palavra “organização”, preferindo ver os encontros como “coincidências organizadas”. E desengane-se quem pensa que a participação está limitada a profissionais do pedal ou a donos de máquinas ultra caras e sofisticadas. Há mesmo alguns participantes que nem bicicleta têm, pelo que é comum algumas lojas – como a LisbonHub, ao Cais do Sodré, por exemplo – emprestarem velocípedes para a concretização dos passeios. Os percursos, que duram entre uma a duas horas, vão variando, sendo as artérias citadinas os caminhos escolhidos, por forma a demonstrar como a cidade pode ser perfeitamente ciclável, desde que se cumpram as normas básicas de segurança quando se pedala no meio do trânsito. E é verdade que a união faz a força, pois se um ciclista não impresssiona muita gente, 100 ciclistas a descer ou a subir uma avenida já impressiona muito mais! O recorde de participações é de 230 pessoas num encontro, em Setembro do ano passado*. «Esta “segurança através da quantidade” torna a Massa Crítica uma excelente forma de iniciação à utilização de veículos suaves em espaço urbano”, lê-se no site da iniciativa.
Para quem nunca participou numa Bicicletada e ainda está com dúvidas, convém esclarecer que os percursos não são demasiado exigentes nem será necessário pedalar com muita velocidade, pois o objectivo é, precisamente, levar a que cada vez mais pessoas adiram e vejam a bicicleta como uma alternativa de mobilidade regular. Além de Lisboa, a Massa Crítica acontece no Porto, Coimbra, Aveiro, Braga, Évora, Guarda, Sines, entre outras localidades. Mas atenção, que a regularidade dos encontros é escrupulosamente cumprida, todas as últimas sextas-feiras de cada mês, pelas 18h00, faça chuva ou faça sol, esteja frio ou calor.
Quem visita o site da massa Crítica encontra algumas informações que visam esclarecer algumas dúvidas aos iniciados como, por exemplo, indicações sobre o código a estrada, sobre a questão do uso de capacete e ainda sobre os cuidados básicos de manutenção a ter com as bicicletas. Lá estão também disponíveis diversos panfletos e cartazes que podem ser descarregados e impressos a fim de espalhar a palavra da bicicleta enquanto veículo de mobilidade urbana, e não apenas enquanto instrumento desportivo. Ou, resumindo isto numa só ideia, que dá o mote à Massa Crítica, «anda de bicicleta todos os dias, festeja uma vez por mês.»
Para saber mais sobre a Massa Crítica: www.massacriticapt.net.
*Entretanto, na última Massa Crítica, a 30 de Setembro, o número de ciclistas chegou aos 400.













